O lado invisível do turismo: por que a gestão de guias e agências ainda é tão informal 

O lado invisível do turismo: por que a gestão de guias e agências ainda é tão informal

O turismo brasileiro vive um momento de expansão. Mais guias se formalizando, mais agências se estruturando, mais destinos sendo descobertos por turistas brasileiros e estrangeiros. Segundo dados do Ministério do Turismo (MTUR, 2025), entre 2023 e 2025 o número de inscrições no Cadastur passou de 157.321 para 188.625 — um crescimento de quase 20% no período, com destaque justamente para agências de turismo e guias. Hoje, o Brasil já conta com mais de 37 mil guias de turismo registrados (AGÊNCIA CIDADES, 2025), e o setor responde por cerca de 8 milhões de postos de trabalho no país, o equivalente a 8,1% de todo o emprego formal nacional (AGÊNCIA CIDADES, 2025). 

Em outras palavras: no papel, o turismo nunca esteve tão formalizado. O Cadastur cresce ano após ano, as exigências legais avançam, a profissão de guia ganha cada vez mais reconhecimento institucional — inclusive com data nacional própria, instituída pela Lei nº 14.971/2024 (AGÊNCIA CIDADES, 2025). Mas existe uma camada do negócio que esses números não mostram, e que dificilmente vai aparecer em qualquer relatório oficial de formalização. É justamente essa camada invisível que a Girus tem observado de perto e quer entender melhor. 

Formalizado no cadastro, informal na rotina 

Ter o registro no Cadastur diz muito sobre a regularização da atividade: comprova que o profissional cumpre os requisitos legais, tem formação técnica reconhecida e está autorizado a atuar. O que esse cadastro não diz é como esse guia, ou essa agência, organiza, no dia a dia, a parte mais prática e mais decisiva do negócio: a agenda, as reservas, a disponibilidade de equipe, a comunicação com o cliente. 

E é exatamente nesse ponto que a informalidade ainda domina boa parte do setor — não a informalidade documental, que vem diminuindo de forma consistente segundo os próprios dados do Ministério do Turismo, mas a informalidade operacional, aquela que não aparece em estatística nenhuma porque acontece dentro do celular de cada guia, em conversas de WhatsApp, em cadernos e planilhas espalhadas. Na prática, observamos — tanto na nossa atuação direta com municípios, agências e prestadores de serviços turísticos quanto em conversas informais com o próprio mercado — uma rotina marcada por: 

 

  • Agendas controladas por mensagens de WhatsApp, espalhadas entre vários contatos e grupos diferentes 
  • Cadernos, blocos de notas ou planilhas improvisadas como única fonte de verdade sobre reservas 
  • Disponibilidade de guias decidida “de cabeça” ou resolvida por telefonema de última hora 
  • Confirmações de reserva feitas manualmente, uma a uma, sem padrão definido entre quem vende e quem executa 
  • Falta de qualquer registro histórico organizado sobre ocupação, faturamento ou desempenho dos passeios ao longo do tempo 

Isso não é uma crítica aos profissionais do setor — muito pelo contrário. É, na verdade, um reflexo de como o turismo de passeios e experiências cresceu no Brasil: de forma orgânica, na base do esforço individual e da paixão pelo trabalho, sem que o mercado tenha oferecido, até agora, ferramentas pensadas especificamente para essa realidade. Diferente da hotelaria ou do varejo, que já contam há anos com sistemas de gestão maduros e amplamente adotados, o segmento de guias e agências de passeios turísticos segue, em grande parte, dependendo de improviso. 

Por que isso é um problema que cresce junto com o setor? 

Quando o volume de passeios e clientes era pequeno, esse tipo de gestão informal funcionava — com esforço, mas funcionava. Um guia conseguia, sozinho, lembrar de todos os seus compromissos da semana. Uma agência pequena conseguia coordenar três ou quatro guias por telefone sem grandes problemas. O problema é que a informalidade na gestão não escala. Ela funciona até um certo ponto e, depois disso, começa a gerar exatamente os tipos de falha que custam dinheiro e reputação: 

 

  • Guias escalados duas vezes para o mesmo horário, por falta de uma visão consolidada da agenda; 
  • Clientes que ficam sem resposta ou sem confirmação de reserva, e simplesmente desistem; 
  • Vendas perdidas pela demora no atendimento, especialmente em destinos com forte concorrência; 
  • Dificuldade real em saber, no momento exato, qual guia está disponível para qual data; 
  • Cancelamentos mal comunicados, que geram confusão entre cliente, guia e agência — e, muitas vezes, prejuízo financeiro. 

Cada um desses pontos, isoladamente, pode parecer um detalhe operacional, um contratempo do dia a dia. Mas, somados ao longo de meses e anos de atividade, eles desenham um cenário em que o crescimento do setor — esse mesmo crescimento que os números do Cadastur celebram — pode ficar limitado não pela falta de demanda turística, mas pela falta de estrutura para administrar essa demanda. 

É um paradoxo que vemos com frequência no nosso trabalho: guias e agências com agenda cheia, boa reputação construída ao longo dos anos e clientes recorrentes, mas que seguem perdendo tempo, vendas e tranquilidade porque a gestão do negócio simplesmente não acompanhou o crescimento da operação. O resultado é um profissional sobrecarregado, respondendo mensagem fora do horário de trabalho, tentando lembrar de compromissos sem o apoio de nenhum sistema, e correndo o risco constante de um erro bobo de agenda virar um problema sério com o cliente. 

Guia autônomo ou agência: o problema muda de forma, mas não desaparece 

Essa informalidade na gestão aparece de maneiras diferentes dependendo do tamanho da operação, mas está presente em praticamente todos os perfis do setor. Para o guia autônomo independente, o desafio normalmente está em fazer tudo ao mesmo tempo — atender cliente, divulgar o próprio trabalho nas redes sociais, confirmar reserva, organizar pagamento e ainda conduzir o passeio, muitas vezes pelo mesmo celular e em tempo real, sem qualquer suporte de equipe. 

Já para agências e operadoras com equipes maiores, o problema se desloca para a coordenação entre pessoas. Como saber, com segurança, qual guia está disponível para qual data, sem depender de mensagens soltas em grupos de WhatsApp ou da memória de quem está no comando? Como evitar que duas pessoas diferentes da equipe confirmem o mesmo guia para o mesmo horário, gerando um conflito que só será descoberto na véspera do passeio? Como manter um histórico organizado de ocupação e faturamento, capaz de orientar decisões de precificação e contratação, em vez de depender de anotações dispersas em planilhas que nem sempre estão atualizadas? 

Em ambos os casos — do guia individual à agência com equipe robusta —, o ponto em comum é a ausência de uma ferramenta pensada para essa dinâmica específica. Sistemas de gestão genéricos, voltados para hotelaria ou e-commerce tradicional, raramente capturam bem a realidade de um passeio guiado: vagas limitadas, guias específicos vinculados a cada data, janelas de disponibilidade que mudam constantemente em função do clima, da temporada ou da própria agenda pessoal de cada profissional. 

O que a Girus quer entender melhor 

Foi observando esse padrão se repetir — na nossa atuação direta com municípios, agências e prestadores de serviços turísticos em diferentes regiões de Santa Catarina, e também na forma como o próprio mercado de passeios e experiências se organiza no dia a dia — que a decidimos ir a fundo nessa questão antes de propor qualquer solução. 

Queremos entender, com mais profundidade e diretamente na fonte, como guias e agências de diferentes perfis e portes estão, de fato, gerenciando suas atividades hoje: que ferramentas usam para controlar agenda e reservas, quais situações de conflito ou confusão já enfrentaram, o que mais pesa na rotina diária e o que fariam diferente se tivessem a opção de uma ferramenta feita sob medida para esse tipo de operação. 

Para isso, lançamos uma pesquisa rápida — apenas 9 perguntas, com cerca de 3 minutos de duração — aberta a guias autônomos, guias vinculados a agências, operadoras e agências. Não é uma pesquisa para confirmar uma hipótese que já temos pronta. É, antes de tudo, um convite para ouvir, na prática e sem filtro, quem vive esse problema todos os dias — porque acreditamos que a melhor forma de construir qualquer solução para o turismo é partir da experiência real de quem está na ponta da operação. 

👉 Clique AQUI e responda à pesquisa “Como você gerencia passeios e reservas hoje?” 

Se você é guia de turismo, trabalha em uma agência ou operadora, ou lidera uma equipe de guias, sua resposta ajuda a construir um retrato mais real e mais completo desse setor — e, a partir dele, soluções que façam sentido para quem está, de fato, na linha de frente do turismo brasileiro

A Girus segue acreditando que tecnologia e turismo devem caminhar juntos, sempre a serviço de quem trabalha nesse setor todos os dias. E, antes de qualquer solução pronta, queremos entender bem o problema — porque é esse entendimento aprofundado que torna o que vier a seguir verdadeiramente útil para guias e agências de todo o país. 

Referências 

AGÊNCIA CIDADES. 37.780 guias de turismo estão registrados no Cadastur. [s.l.]: Agência Cidades, 2025. Disponível em: https://www.agenciacidades.com.br/reportagens/37780-guias-de-turismo-estao-registrados-no-cadastur/952/. Acesso em: 18 jun. 2026. 

MINISTÉRIO DO TURISMO (MTUR). Cadastur registra crescimento de quase 20% em três anos e reforça avanço da formalização no turismo brasileiro. Brasília, DF: Ministério do Turismo, 23 dez. 2025. Disponível em: https://www.gov.br/turismo/pt-br/assuntos/noticias/cadastur-registra-crescimento-de-quase-20-em-tres-anos-e-reforca-avanco-da-formalizacao-no-turismo-brasileiro. Acesso em: 18 jun. 2026. 

 

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