Biosphere em Florianópolis: como a Ilha da Magia colocou o Brasil a um passo da liderança sul-americana em turismo sustentável 

Biosphere em Florianópolis

Biosphere em Florianópolis

Doze meses. Foi esse o tempo que levou para a gente sair de “vamos apresentar a Biosphere para o mercado catarinense” para colocar o Brasil na segunda posição do ranking sul-americano de empresas com Selo de Comprometimento e Certificação Biosphere — atrás apenas do Peru. E olha que a gente nem chegou no destino ainda. 2026 promete ser o ano em que assumimos essa liderança. 

Se você trabalha com turismo em Florianópolis e ainda não ouviu falar em Biosphere, ou ouviu falar mas não entendeu direito o que é, esse texto é para você. E se você já sabe o que é, mas quer entender como conseguimos esse resultado em tão pouco tempo, também é para você. Porque não foi sorte, foi processo — e é sobre esse processo que a gente quer falar aqui. 

O que é a Biosphere (e por que ela importa) 

A Biosphere Sustainable é uma plataforma internacional de gestão, reconhecimento e certificação de sustentabilidade, criada em 1997 pelo Responsible Tourism Institute (RTI). Na prática, ela existe para ajudar empresas e destinos turísticos a organizar suas práticas sustentáveis, alinhá-las aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Agenda 2030 da ONU e, ao final do processo, comunicar tudo isso de forma verificada para o mercado — clientes, parceiros, OTAs como Booking, Google, Expedia e TUI reconhecem o selo. 

A plataforma trabalha com dois estágios de reconhecimento, e é importante entender a diferença entre eles porque isso muda completamente a leitura dos números que vamos mostrar mais adiante: 

  • Biosphere Committed (Selo de Comprometimento): identifica organizações que já montaram um plano de sustentabilidade estruturado e estão colocando as ações em prática. É o primeiro degrau, mas já é um degrau sério — exige diagnóstico, plano de ação, evidências documentadas e auditoria externa. 
  • Biosphere Certified: é o estágio seguinte, concedido depois de auditoria externa que verifica de fato tudo o que foi implementado. É o selo mais robusto, o que aparece nas OTAs e carrega o peso maior de credibilidade internacional. 

A Girus é representante oficial da Biosphere no Brasil, representando o RTI diretamente com empresas e destinos que querem entrar nesse processo. E é justamente essa parceria que nos colocou dentro da operação, ponta a ponta: do primeiro diagnóstico até o recebimento do selo. 

O trabalho que a gente vem fazendo (e o que ele realmente significa no dia a dia) 

Falar em “acompanhamento” soa meio vago, então deixa a gente ser mais concreto sobre o que isso significa na prática. Quando uma empresa entra no processo Biosphere com a nossa orientação, o trabalho passa por várias frentes: 

Diagnóstico e identificação de práticas existentes. A maioria dos negócios já faz mais coisa sustentável do que imagina — só nunca parou para documentar. Nosso primeiro trabalho é sentar com cada empresa e mapear o que já existe: gestão de resíduos, relação com fornecedores locais, práticas de acessibilidade, ações sociais com a comunidade, eficiência energética. Muita coisa que parecia “só um jeito de operar” vira evidência formal dentro da plataforma. 

Organização da documentação e das evidências. Aqui entra a parte mais técnica: cada ação declarada precisa de evidência real — foto, registro, política interna, nota fiscal, o que for pertinente. A gente ajuda a organizar esse material de um jeito que faça sentido para a auditoria, categorizando por área (ambiente, sociedade e cultura, desenvolvimento local, entre outras) dentro da metodologia da plataforma. 

Implantação de novas ações. Nem toda empresa chega com plano de sustentabilidade pronto. Parte do nosso trabalho é sugerir e ajudar a implementar novas práticas — reciclagem, redução de plástico, acessibilidade, parcerias com produtores locais — para que o plano evolua de verdade, e não fique só no papel. 

Acompanhamento até o Selo de Comprometimento e além. A gente não larga a mão depois do diagnóstico inicial. O acompanhamento é contínuo, e pode ser realizado até a empresa atingir o Selo Biosphere Committed, como no caso das empresas de Florianópolis, ou pode ir até o atingimento do Certificado Biosphere Sustainable. 

Foi assim, empresa por empresa, que fomos construindo essa base em Florianópolis — sem atalho. E os números começaram a aparecer. 

Os números: onde o Brasil está, e por que isso é surpreendente 

Aqui está o dado que motivou esse texto. Quando você olha o ranking sul-americano de empresas com Selo de Comprometimento e Certificação Biosphere, o Peru lidera — o que não chega a ser surpresa, já que o país tem uma trajetória bem mais longa com o RTI. No cenário atual, o Peru conta com 19 empresas na plataforma, sendo 7 delas já com Certificação plena. 

O que chama atenção é o que vem logo atrás. Só em Florianópolis, já temos 16 empresas engajadas no processo Biosphere, com 3 delas já certificadas. Ou seja: uma única cidade brasileira, em menos de um ano de trabalho estruturado, chegou a um número de empresas praticamente equivalente ao de um país inteiro que trabalha com a metodologia há muito mais tempo. 

Esse é o tipo de dado que, colocado lado a lado, muda a percepção sobre o ritmo de adoção da sustentabilidade certificada no turismo brasileiro. Não é um movimento pontual de uma ou duas empresas — é um ecossistema local se movimentando junto, com uma curva de crescimento que já coloca o Brasil na segunda posição da América do Sul em número de empresas com Comprometimento e Certificação, atrás apenas do Peru e Argentina. 

E o motivo de destacarmos isso não é vaidade — é estratégia. Esse ritmo é a nossa evidência de que o modelo de acompanhamento próximo, com diagnóstico real e implementação de ações (e não só “preenchimento de formulário”), funciona. E é esse modelo que estamos escalando ao longo de 2026, com a meta declarada de assumir a liderança sul-americana ainda este ano. 

Quem já está na lista: um recorte de Florianópolis na Biosphere 

Vale mostrar quem são essas empresas, porque elas representam setores bem diferentes da economia do turismo local — o que reforça que esse não é um movimento de nicho, restrito a um tipo de negócio. 

Na categoria de mercados, o Mercado São Jorge já é referência, com evidências documentadas em meio ambiente, sociedade e cultura, e desenvolvimento local, incluindo eventos culturais e estacionamento de bicicletas para clientes e equipe. Na hotelaria, a Quinta das Videiras avançou com plano robusto e se tornou o primeiro hotel certificado no Brasil.

No universo das bebidas artesanais, a Maltês Craftbeer integra o grupo certificado. Com o selo Commited, negócios como a Bugio Produções, Destilaria Ohana e a Nefasta Cervejaria Artesanal, mostram como práticas sustentáveis também vêm ganhando espaço entre produtores locais de bebidas.

No setor gastronômico — que tem sido um dos motores mais fortes desse crescimento recente — aparecem nomes como Rocambole Café, na Lagoa da Conceição, NaCanoa Oyster Bar, no Ribeirão da Ilha, Freguesia Oyster Bar, em Santo Antônio de Lisboa, Buono Beach Restaurante, na Cachoeira do Bom Jesus, além do Restaurante Sabor da Costa e do Restaurante do Jajá, ambos na Costa da Lagoa.

Também fazem parte desse movimento a Amoratto Sorvetes, representando a produção de sorvetes, e a Desterro Bar e Hamburgueria (em andamento), ampliando ainda mais a presença de diferentes modelos de negócios da alimentação.

A cadeia ligada à maricultura e às experiências gastronômicas também está representada pela Fazenda Marinha Paraíso das Ostras e pelo Ostra Xperience, negócios diretamente conectados à produção local, ao território e à valorização de um dos produtos mais emblemáticos da gastronomia de Florianópolis. 

Não é coincidência que a gastronomia apareça com tanta força nesse recorte. Em 2025, uma ação da Prefeitura de Florianópolis, em parceria com a FloripAmanhã e o Sebrae/SC, passou a incentivar diretamente estabelecimentos gastronômicos da cidade a organizar e ampliar suas práticas sustentáveis através da metodologia Biosphere — uma iniciativa conectada ao Programa Florianópolis Cidade Criativa da Gastronomia, reconhecimento que a cidade recebe da UNESCO desde 2014. Esse movimento institucional, somado ao nosso trabalho direto com cada empreendimento, é parte do que explica a aceleração dos últimos meses. 

Por que Florianópolis virou terreno fértil para isso 

Não é acaso que a Ilha da Magia esteja puxando esse movimento no Brasil. Florianópolis já carrega, de um jeito meio orgânico, muitos dos elementos que a Biosphere busca formalizar: forte relação com o território, cadeia produtiva local valorizada (pensa na pesca artesanal, na renda de bilro) e uma comunidade empresarial que, principalmente no setor gastronômico e de hospedagem de pequeno e médio porte, já opera com bastante proximidade com fornecedores locais e com a comunidade ao redor. 

O papel da Biosphere — e o nosso, dentro desse processo — é pegar essa vocação que já existe na prática e transformar em plano estruturado, documentado, auditável e comunicável. É a diferença entre “a gente já faz isso há anos, meio que naturalmente” e “a gente consegue provar, com evidência verificada por auditoria externa, tudo que faz, e ainda comunicar isso para quem reserva no Booking, pesquisa no Google ou compara opções no Expedia antes de vir para cá”. 

Esse é o ponto que a gente mais reforça quando conversa com empresários da cidade que ainda estão em dúvida sobre entrar no processo: sustentabilidade documentada não é burocracia — é vantagem competitiva mensurável. A própria Biosphere aponta que a maior parte dos viajantes hoje já busca ativamente serviços e empresas com práticas sustentáveis reconhecidas antes de fechar uma reserva. Ter o selo é responder diretamente a essa demanda, de um jeito que o cliente consegue verificar. 

O que vem por aí: a meta de liderança em 2026 

Chegar ao segundo lugar da América do Sul em menos de 12 meses de atuação estruturada já é, por si só, um resultado que a gente comemora — mas não é o ponto final. A meta que estamos perseguindo ao longo de 2026 é ultrapassar Peru e Argentina, assumindo a liderança do ranking sul-americano de empresas com Selo de Comprometimento e Certificação Biosphere. 

Isso significa continuar o trabalho em duas frentes ao mesmo tempo. Primeiro, ampliar a base: trazer mais empresas de Florianópolis e da Grande Florianópolis para dentro do processo, especialmente aquelas que ainda não sabem que já cumprem boa parte dos requisitos, só falta documentar. Segundo, e talvez mais importante, converter o Comprometimento em Certificação — porque hoje o gargalo real não é entrar no processo, é avançar da fase de plano para a fase de auditoria completa. Dos 15 empreendimentos catarinenses hoje, apenas 2 têm a Certificação plena; o espaço para crescimento aí é enorme. 

Se você tem um negócio ligado ao turismo em Florianópolis — hotel, pousada, restaurante, bar, atrativo, operadora, produção gastronômica — e quer entender como entrar nesse movimento, esse é o momento certo para conversar com a gente. O processo está aberto, o acompanhamento é próximo, e os resultados, como os números mostram, aparecem rápido quando o trabalho é feito com consistência. 

A gente vai continuar contando essa história aqui no blog, atualizando os números conforme eles evoluem ao longo do ano. Porque não é só sobre um selo na parede ou um ícone a mais no site — é sobre colocar Florianópolis, e o Brasil, no mapa da sustentabilidade turística verificada da América do Sul. E a gente está bem no meio disso. 

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